exposição

O objeto principal dessa exposição é a própria casa, construída em 1934 pelo pintor Presciliano Silva, meu avô e as fotografias do acervo fotográfico da minha família (do século XIX ao século XX). Nada mais coerente do que realizar esta instalação no local onde este acervo está guardado, onde o processo foi desencadeado, o projeto elaborado e as obras realizadas: a casa do Boulevard. A casa da minha infância. A casa onde habito agora. Casa atelier. Casa acervo dessas fotografias. Casa memória. Casa caixa. Obra em processo. Vida e obra entrelaçadas. Possibilitar o público simultaneamente participar do cotidiano da casa do artista, percorrer os caminhos relativos ao processo criativo do artista e, mais do que ver, penetrar na exposição.

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Este é mais um trabalho na linha auto-etnográfica utilizando, como suporte e produto final das obras, objetos e temas que fazem parte da minha história de vida.Além de mergulhar cada vez mais em projetos e obras desta natureza , cada vez mais incorporo o processo de trabalho à própria obra. Cada vez mais sem limites de onde começa a obra e de onde termina o processo. Como se um contivesse o outro e o outro contivesse o um. Com a clara idéia de que o processo é tão importante quanto à chamada obra. Ou melhor, o processo é obra também. É extremamente espontâneo, particular, intimo e menos sujeito às convenções. Ao incorporarmos a casa do artista como local de exposição e obra em si estamos oferecendo ao público a possibilidade de transitar entre o simbólico e o real cruzando sentimentos e reflexões. Estamos estimulando também o dialogo simultâneo entre várias linguagens, entre o passado e o presente, o corpo do público e o corpo da artista.

O nosso objetivo principal é investigar as fronteiras entre o público e o privado trazendo novas possibilidades de leitura sobre a arte que ultrapassem a sua função estética trazendo reflexões de outras ordens (antropológica, etnográfica, filosófica ) além de abordar conceitos de memória, identidade, apropriação, resgate, releitura, alteridade.

A idéia é demonstrar que a fotografia é mais do que um suporte ou ilustração elas carregam em si o próprio processo de raciocínio; despertar os conceitos da chamada critica genética; inspirar oferecendo uma nova maneira de expor; provocar a construção de outros diálogos e reflexões.

Será uma exposição itinerante onde o visitante poderá dispor de uma visita guiada. Esta exposição é na verdade uma grande instalação composta de algumas obras, inclusive a própria casa.

Nosso objetivo está claro agora: pretendemos mostrar que a casa é uma das maiores (força) de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem. (BACHELARD, Gaston. 1989).


descrição das obras

1. o atelier: a grande caixa do guardar, do pensar, do fazer e do viver. Obra de arte, local de trabalho e habitação ao mesmo tempo.

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2. caixas: instalação montada no atelier que envolve as velhas caixas de fotografias do acervo e um vídeo onde o personagem principal são essas caixas.

caixas

3. o processo: todas as etapas do projeto – conteúdo imagético e textos – disponíveis em um site no computador instalado no atelier.

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4. livro-objeto: um livro, nas dimensões 27X 27 cm com aproximadamente 230 páginas, sobre o acervo fotográfico da família com fotografias do século XIX até o século XXI. Este objeto estará na mesa central do atelier.

1. mão avô avó menina

5. vídeo diário: vídeo produzido entre 2008 e 2009 com imagens e depoimentos da artista sobre o seu processo de trabalho, seu momento de vida atual, suas reflexões, dúvidas, erros e acertos em relação ao projeto.Exibido no televisor do quarto da artista,localizado no mezzanino do atelier .

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6. armário vermelho: instalação no atelier sobre a passagem de tempo realizado através de fotografias do próprio armário vermelho que contém o acervo videográfico da artista.

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7. maria: instalação também no atelier sobre Maria Ferreira da Silva Neta, a pessoa que vem cuidando da família-Mônica, filhas e neta -há mais de 20 anos.

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8. cachorros: instalação na janela do atelier sobre os 11 cachorros de Maria Moniz, mãe da artista, e que também vivem na casa.

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9. estante: vídeo exibido em uma das estantes do atelier, revelando as fotografias que representam as quatro categorias do livro objeto : a fotografia e os gestos; a fotografia e os objetos, o brinquedo, o colar e a gravata ; a fotografia e os animais de estimação e a fotografia e a produção da artista.

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10. mesa de trabalho: um áudio visual com fragmentos de imagens e falas da artista sobre a casa do Boulevard instalado na mesa de trabalho da artista no atelier.

ficha técnica | crew datasheet

curadoria | curator raquel rocha
produção executiva| executive production camilla oliveira
produção | production dayane sena
assistente de produção 2ª fase | production assistant 2nd phase maria beatriz barros
assistente de produção 1ª fase | production assistant 1st stage augusto angélico
design gráfico | graphic design daniel cambuí
web design | paper cliq
fotografia e câmera de vídeos | photography and video camera carolina câmara
still video  maria alice terra
edição vídeos |  video editing isolda libório | ideograma
iluminação | lighting design total stage
cenotecnia | setting design beto magaiver
tradução | translation marcelo moacyr
assessoria de comunicação | public relations santa clara comunicação
visita guiada | guided tour daise lôbo

Curadora
Agora o espectador, a visita (in)esperada, tem a oportunidade de coadjuvar na história da casa, fazendo-se interlocutor da vida e da obra da artista, exatamente no lugar da imersão para este trabalho: Lugar-objeto, continente dos processos artísticos.

bahia | 2009
Raquel Rocha

making of – um dia com minha curadora